Luciani Malatér e a palestrante, Gládis Kaercher

Luciani Malatér e a palestrante, Gládis Kaercher

Foi na sexta-feira passada, 17 de abril, a aula inaugural do curso de especialização que estou fazendo, o Linguagem, Cultura e Educação: uma interface teórico-prática na escola. A Profª. Drª. Gládis Elise Pereira da Silva Kaercher, da Faculdade de Educação da UFRGS veio fazer uma “Conversa de Escola”, e não mais uma conversa da escola.

Estive lá como aluna e a trabalho, e valeu a pena. Foi comovente. A professora Gládis começou o papo resgatando “El cueco”, uma figura andarilha, para representar o compromisso que acredita ser o do educador e sua prática docente, ajudar o outro e a si mesmo a andar, a fazer o próprio caminho.

Em alguns momentos, Gládis comenta que a oposição entre conversa da escola – essa a que estamos muito acostumados a ouvir, que trata da violência entre alunos e professores, que diz do fracasso escolar, que aponta culpados, esse papo gasto e que, apesar de necessário, não leva ninguém adiante da constatação e do desencanto -  e conversa de escola – que pensa a escola por dentro, que aposta na hospitalidade e na acolhida, que não nega suas limitações, mas que investe nas presenças para além das ausências – desnuda as pessoas, especialmente nós, professores cheios de verdades e princípios e autoridades.

De muitas formas a fala dela me veste, e dialoga com muito do que temos discutido nas aulas da especialização, de um jeito visceral e dolorido, mas que em algum momento opera mudança em quem está lá. Nas conversas de escola da Gládis não ouvi novidade, o que ela fez foi redimensionar as coisas, abrindo os olhos da platéia para a confusão dos argumentos que comumente cada um toma para si e repete, repete e repete sem se dar conta das velhas falas.

Eu quero e acredito exatamente nisso: na hospitalidade e na acolhida de nós para nós e para os outros. Sempre. Porque vale a pena. E não admito mais o discurso do fracasso.