Um conto meu, o “Longe, enlace, em laços” foi publicado na revista Em Branco. O site da publicação não estava disponível hoje, mas o arquivo em pdf pode ser acessado aqui ou aqui. O texto está disponível também no Solstícios.
Do time do comercial da pochoclo. Vai dizer que não é uma graça?!
Sou campeã de sonhos estranhos. Sonho é um troço que me encafifa sempre. Por mais descabida que seja a sequência, aquilo que lembro ao acordar deixa sempre uma impressão forte, que me acompanha o dia inteiro… as vezes por semanas. Pode ser que eu seja dessas pessoas que se impressionam facilmente e que vêm indícios e vestígios do sobrenatural em qualquer batida de porta ou estalo de assoalho, pode ser. O caso é que os sonhos que tenho costumam ter relação perfeita com a minha vida acordada, ou por me lembrarem de passagens importantes de memória, sempre quando preciso lembrar, ou por abrirem caminhos de depois, quando preciso escolher e não sei por onde ir. As vezes me parecem só avisos. Ok, sou do tipo de pessoa que fica MUITO impressionada com sonhos…
Então que sonhei essa noite, ESSA NOITE (olhem o calendário), que estava almoçando na casa da minha bisavó, tinha muita comida, mas no meu prato tinha arroz, couve e purê de batatas (adoro). A mesa era retangular e imensa. Estavam nesse almoço, além dos meus pais, do meu irmão e do bruno, as avós materna e paterna, tios e tias e primos e primas (esses últimos de forma um tanto nebulosa). Até aqui, tudo bem. Qual a novidade de um almoço que reúne gerações da duas famílias que não se encontram quase nunca? O estranho era a presença, muito nítida, dos meus avôs materno e paterno e das bisavós, a dona da casa e a outra, gente que já passou dessa dimensão há muito tempo.
Do meu lado na mesa o vô que em vida sempre usava um chapéu daqueles de vovô, mesmo, tipo boina. Ele estava vestido com calça e camisa branca e até o chapéu era branco. Ele ria sem dentes, logo o vô que nunca tirava as dentaduras. Que saudade. O outro vô, a irreverência, parecia muito mais jovem, cabelo menos grisalho, corpo menos magro, também de roupa clara. Acho que ele dançava com as filhas perto da mesa. Uma das bisas estava igualzinha, pequeninha e sorrindo fino encostada na parede, atrás da mesa. Não dizia nada, só olhava. Nossa, o cabelo dela estava solto, cinza e liso, na autura do queixo. Em nada parecia a bisa dos seus últimos tempos. Essa bisa de vestido estampadinho estava bem brilhante. A outra bisa, bom, a outra bisa também estava ali, na cabeceira da mesa, e do seu jeito sem muitos risos. Ela servia algo com concha num prato. Não sei bem.
Olha a bruxaria do negócio: lembro de estranhar que em cada canto da peça, um retângulo bem amplo, tinha uma vela branca acesa (!!). Lembro também de ter comentado isso com o vô do chapéu. Ele riu e disse que era assim mesmo. Como ele parecia feliz! Imagina isso? O vô mais carola de todos aprovando velas acesas nos cantos da casa, que era a casa da bisa sisuda, mas que não tinha nada a ver com a casa que ela tinha em vida.
Antes de sair da casa eu apaguei a vela da entrada. Acordei com uma saudade, uma vontade de voltar lá, colocar uma música bem agitada e dançar com os vôs e com as bisas, e me empanturrar daquela comida de sonho, que nem deve engordar. E respirar fundo e dizer que tudo bem, que o mundo é muito grande, e que eu não tenho a menor ideia de pra onde a gente vai depois que morre, mas que eu queria aprender, me conta vô, onde tu andas? tu és mais feliz lá?
Enfim, coisas. Tirar o atraso da conversa. Acordei contando do sonho pra mãe e pro pai. Todo mundo achou graça. Principalmente quando me dei conta que hoje é justamente o dia simbólico daqueles que já foram. Juro que não fui dormir pensando em nada disso. Antes de dormir pensava em ser mais rígida com a dieta e se o meu irmão estaria bem lá onde ele ia passar a noite.
Que coisa.
Faz tempo que não escrevo nada aqui. Normalmente venho para contar coisas que sinto serem difíceis ou muito boas. Hoje não será diferente. A frustração da semana: desisti de tentar o doutorado esse ano. Só eu sei o quanto isso me derrota. Mas de outros lados, brotaram oportunidades legais, pequenas surpresas…
A Elena, ex-orientadora e teórica brilhante, me chamou para traduzir um trabalho dela, que será publicado num dicionário organizado pela Zilá Bernd. Uau! Imagina só… que chiqueza, o meu nome numa notinha de rodapé num estudo tão complexo, que deve circular pelo mundo. Outra coisa legal foi o convite para participar (ainda não sei como) da atividade que um professor canadense, estudioso da literatura hispano-americana, fará aqui na Furg em dezembro. Os estudos dele me ajudaram muito na dissertação, o cara é tradutor da Nela Rio ao inglês no Canadá (e eu ao português no Brasil… Uauuu2!
). De algum jeito vou vê-lo de perto. Estou com frio na barriga desde já.
Hoje à tarde apresentei a minha proposta de projeto na pós em Linguagem, Cultura e Educação e o povo aprovou. A profe disse que estava pronto para a qualificação (Uauuu3!). Depois de ter descumprido praticamente todos os prazos de entrega de trabalhos, acertei uma coisa lá. Já estava me sentido o Ódoborogodó de tanto correr para fazer as coisas e não dar tempo de terminar e entregar. Agora é concluir o que ficou pendente.
No más, o horário de verão começa hoje, aleluia, o trabalho no Caic vai muito bem, na Assessoria vai bem, e na UAB vai acabando (ufa). O Bruno ainda me espera ter tempo (namorado tudodebom, esse meu), o apartamento que estava negociando agora é meu mesmo (contrato assinado!), o tratamento das minhas aftas eternas é mesmo descanso e alimentação saudável (fruta e iogurte tododia). Enfim, ando contente quase o tempo inteiro. O que me desagrada, já vai passar…
Saudade de comentários nos blogs, sabe? Daquela época em que havia movimento de blogueiros e gente dizendo coisas novas toda hora. Era bom. Pelo jeito, esse povo anda muito ocupado com as coisas do mundo real, como eu.
Até a próxima.