Acordei nostálgica, como faço na maioria dos domingos dessa minha vida bonita e, cof, equilibrada. Resolvi começar a desmanchar a lista de trabalhos por fazer ouvindo música. Nossa, as vezes esqueço do poder que a música tem… Puxei do armário o primeiro cd que comprei: o Destination Anywhere, do Bon Jovi, aquele duplo que vem com um outro ao vivo. Na época quase fiz buracos no disco de tanto ouvir, também no “meu primeiro gradiente”. Faz uns doze anos isso..?! Nessa época em que me vejo quase fazendo aniversário fico meio assim.
Enfim, coloquei o cd, dessa vez no “meu primeiro notebook”, abri o arquivo problemático do word e comecei a reler as cinco páginas do artigo sobre autoria que deixei pendente. Na segunda faixa, não aguentei e comecei a cantar alto, munida de fones de ouvido – num esforço por ser contida e não chamar atenção das pessoas aqui de casa, afinal uma menina adulta como eu não se presta a essas extravagâncias… E fiquei alguns minutos fingindo ser cantora no meu inglês sofrível, implorando a Janie que não levasse seu amor para a cidade.
Esse sempre foi meu trecho favorito:
I hated you, the night you said you loved me
I hated you, ’cause I couldn’t love myself
I’m begging you now, baby please just hold me
I got one foot in, one foot off the ground
E revisitando essa música hoje, quase compreendo o que esse homem diz, quase me vejo lá, ora no lugar da Janie, ora no lugar dele, e ao mesmo tempo em mim aos 13 anos. Faz tanto tempo e não faz nem um minuto. Quando presto atenção em sensações como essa tenho quase certeza de que o tempo não existe. Encontrei comigo hoje, com uma certa pressa e até um pouco de constragimento, mas me vi contente como não estive durante a semana inteira. Por isso que Bon Jovi ainda é legal.